Já tinha saudades de uma noite assim. Uma noite de heavy metal como manda a lei. Depois da primeira edição em Cacilhas, no ano passado, o segundo «Stronghold Of Metal» teve lugar agora no Side B e contou com 3 excelentes actos nacionais e um internacional. Representando as cores e a qualidade cá do burgo estiveram os Inquisitor, os Motorpenis e os Gargula. Internacionalmente falando, cabia aos italianos Wotan dar por terminada uma noite que se antevia de grande convívio com pessoal que só se vê nestes concertos, degredo, coração e aço, muito aço. Só para variar um bocadinho, os concertos começaram às 22 horas para acabar cedo e as pessoas poderem ter disposição até ao fim - ironic mode off -, mas por muito que isto me faça uma confusão dos diabos, não dá para ficar em casa em forma de protesto quando temos cartazes desta magnitude a 60 km de distância, por estradas que já não as posso ver. Os Inquisitor deram as boas vindas à meia centena de presentes, com o seu speed/thrash cada vez mais aprimorado. Quem os viu no primeiro concerto e quem os vê agora...é bom vê-los a crescer assim. Seguiram-se o thrashers da Marinha Grande, Motorpenis. Sem dúvida alguma, uma das melhores bandas nacionais cujos concertos são sempre magníficos. Intensidade, riffs arrasadores, odor a Alemanha por todos os lados; é impossível ficar quieto. Estes via todos os dias a tocarem tudo o que é deles e mais umas covers. Após duas bandas mais viradas para o thrash, os Gargula mudaram ligeiramente o rumo da noite e levaram-na para a vertente mais tradicional do heavy metal. Bem, o que dizer? Tocam que se fartam e deram um concertorro de puro heavy metal, cheios de energia e um baixista que é um espectáculo dentro do principal espectáculo. Houve ainda um tributo especial a Ronnie James Dio. Três bandas nacionais que, por si só, tinham já garantido uma excelente noite. Faltavam apenas os italianos do Heavy/Epic, Wotan. Heavy metal da espada, com um cariz muito guerreiro, na linha de uns Manowar. É verdade que têm grandes malhas espalhadas pelos dois discos lançados, mas passaram imenso tempo em temas mais lentos e aborrecidos, de tão iguais que são. Faltou a intensidade, o poder e a alma que todas as nossas bandas demonstraram antes. Foi engraçado, mas nunca na vida superaram o que se viveu até aí, nomeadamente em Motorpenis, que foi absolutamente avassalador, nunca me canso de o referir. Grande, grande noite de metal fabril!
Domingo, 27 de Fevereiro de 2011
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