Terminada uma tarde de punk, seguia-se uma noite bem mais calma e espiritual na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto. Pelo meio um jantar no Cais de Sodré e a respectiva caminhada (difícil) até à sala em questão. Algum tempo passado cá fora na conversa, e a ver as pessoas que iriam encher a ZDB a chegarem. Um público diferente daquele a que estou habituado, e conversas muito estranhas à minha volta. Enfim, públicos. Foi a primeira vez que entrei neste espaço e ainda bem que os concertos são raros (metal propriamente dito, não vê-lo). Não gostei da sala, não se vê nada e é minúscula. Os donos da noite eram os americanos Om, e a abrir esteve o jovem Gabriel Ferrandini, também ele nascido na terra de tio Sam, mas a viver em Portugal desde pequeno. Apenas ele, a sua bateria, algumas outras ferramentas, e a sua aparente timidez e concentração ofereceram-nos meia hora interessante de experimentalismos. Não o oiço em casa, mas apreciei a sua arte. Aproximei-me então do palco para ver os Om em melhores condições, particularmente o louco e expressivo Robert "Lichens" Lowe, que parecia um pedinte (o Al Cisneros era o arrumador de carros). Os três sludgers/droners/whatevers, subiram ao palco e rapidamente prenderam a atenção da plateia, com «Meditation is the pratice of Death». As cabeças começaram a mexer ao longo daqueles riffs arrastados e a postura do Lichens foi de facto um espectáculo dentro do próprio espectáculo. Os temas foram-se sucedendo e a paciência e disposição foram-se perdendo ao longo dos mesmos. No final «At Giza» e o encore «Bhima's Theme» seriam duas grandes malhas, mas tiveram o problema de estenderem o concerto a uma duração para lá da ideal. Após uma hora e vinte de Doom/Drone/Sludge/Post tântrico, deram por terminado o concerto com um "Thank you", as únicas duas palavras dirigidas ao público em toda a noite (Ferrandini incluído). Noite com bons momentos...mas sonoridades destas, ao vivo, nunca mais.
Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
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