Não são muitas as ocasiões em que o Side B, em Benavente, regista boas casas, mas a noite de sábado teve o condão de levar muita gente a esta terra mais ou menos fora de mão. Do cartaz constavam dois nomes fortes do industrial nacional: Dr. Zilch e, nomeadamente, Bizarra Locomotiva. Quanto aos primeiros, formaram-se em Lisboa há mais de 10 anos já, ainda que pouca gente o saiba, acho eu. Relativamente aos segundos, não são necessárias notas introdutórias. Os Bizarra Locomotiva são a principal instituição do género em Portugal, e já com muita estrada percorrida.
O início estava marcado para as 23 horas (!!), mas um problema com o material de Dr. Zilch atrasou o "levantar da cortina", obrigando-os a abrir as hostilidades apenas à meia-noite, ou perto disso. Com uma veia muito acentuada de Marylin Manson, o conjunto lisboeta esteve em acção durante pouco mais de meia hora e, apesar de aqui e ali nos oferecer momentos interessantes de fazer bater o pé (a cover «Relax» caiu bem), no geral não me convenceram e não fiquei com particular vontade de os rever. Porém, destaco a sua boa presença e a tentativa de dar um bom espectáculo. Caía o pano sobre o primeiro acto e aguardava-se a subida ao palco dos Bizarra Locomotiva. A espera não foi tão curta quanto isso, mas assim que aquela maquinaria se fez ouvir, todo o atraso se esqueceu e, entre o canto e o headbang desenfreado passou-se uma hora e picos sem se dar conta. Magnífica atitude da banda, como é normal, e um poder sonoro incrível que só tem a ganhar em recinto fechado - foi a primeira vez que os vi em tal situação. Grandes temas sucediam-se a grandes temas, com alguns pontos altos como «O Anjo Exilado», «Egodescentralizado», «Gatos do Asfalto», «Cada Homem», «Homem Máquina», e o mais alto de todos, «Ergástulo». O muito público correspondeu à excelente atitude da banda, com um animal de palco chamado Sidónio ao leme. Depois de um encore, a saída definitiva de cena e o encerramento da noite. A hora ia adiantada e aquele caminho até casa, depois de concertos e cansaço acumulado, é penoso. Daí ser interessante que alguns horários, como este, sejam revistos. Não percebo a necessidade de se agendar concertos para tão tarde. Pode bem ser mais cedo, e quem quiser ficar no bar após os concertos fica; quem quiser ir embora, que o possa fazer a horas mais simpáticas. Musicalmente falando, excelente noite e 10 euros bem empregues.
Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011
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