Mais uma jornada metálica longe de casa. Em Braga reuniram-se pesos pesados do Doom, do Grind e do Black/Folk guerreiro, por isso, não poderia deixar de marcar presença nesta cimeira. Foi já o V «Bracara Extreme Fest», mas apenas o meu primeiro, e que excelente forma de me estrear! A viagem era saturante e a chuva não ajudava. Uma vez instalado bem perto do Parque de exposições e com sumo comprado no intermarché, os concertos estavam atrasados, permitindo que se jantasse em condições. Com pouco público e muito chuva lá fora, o evento começava então no palco (-) com Fetal Incest a debitarem o seu porno grind supersónico. Quando um gajo vai começar a bangar, a música termina. Neste palco foi assim toda a noite. Por lá passaram os Namek, os Looking For an Answer (só quando voltei a casa, percebi que não os tinha visto...) e os Cripple Bastards. Em casa não oiço muito Grind, mas ao vivo funciona bem. No outro palco (funcionaram de forma alternada), uma sonoridade bem diferente. Os Why Angels Fall foram grandes durante meia hora, tendo faltado apenas a magnífica "Beneath The Dream" e os Moho ofereceram um rock sujo interessante (ou então foi por causa do sumol). Depois os grandes momentos da noite: Esoteric, absolutamente hipnotizante e criando uma atmosfera em que nada mais se via ou se ouvia (estranhíssima e prazerosa sensação!), e os Swallow The Sun e toda a sua melancolia. Gosto muito destes finlandeses que, apesar de parecer que não dão mais do que aquilo, aquilo que dão é bom. Esqueceram-se de dois temas que tornariam o concerto mais belo ainda.
A manhã seguinte não foi nada fácil, mas, felizmente, a disposição foi melhorando ao longo da tarde, e à noite estava de novo pronto para bons momentos metálicos e não só. Desta feita com mais gente, a noite abriu novamente no (-) com os Vai-te Foder, que nada me disseram. Continuando nesse espaço, os brasileiros Uzômi foram uma agradável surpresa com dois vocalistas completamente loucos, e os Grog foram de um poder imenso. Esta grande instituição nacional merceu bem o contacto físico, tal como os Rotten Sound que deram um concerto excecional e imparável. Não pude evitar umas amolgadelas. Pelo meio, tal como no dia anterior, o recinto (+) proporcionou também muitos flashes que perdurarão na memória. Os Australianos The Night Terrors, e o raro teremim, foram talvez a maior surpresa do festival, pela originalidade e ambiente que criam. Os Mael Mordha constituíram uma espécie de warm up para o que viria, e estiveram igualmente a bom nível, com boa atitude, arrecadando para si uma reacção bastante positiva do público. Relativamente aos Heirs, só ouvi cá de fora. Não me estava a chamar por aí além e tinha de apanhar algum ar. Era então a vez dos Primordial subirem ao palco. Uma espera maior que todas as outras só criou mais expectativas. Quando «Empires Fall» marcou o início, percebeu-se que este seria um enorme concerto e um dos melhores do ano. Postura, teatralidade e união são os nomes do meio do Alan, numa banda muito coesa e que dão um show maravilhoso! Público ao pés destes irlandeses no final de um «BEF» com saldo muito positivo, musicalmente e não só, não obstante alguns melhoramentos que devem ser feitos naquele local. Bom fim de semana com muito metal, muito convívio, muito álcool e muita parvoíce dita e feita. No dia a seguir, mais algumas horas ao volante no caminho de regresso. Cheguei exausto mas de alma cheia.
Sábado, 6 de Novembro de 2010
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