Inserido nas festividades de recepção ao caloiro, em Beja, o metal causou danos em terras alentejanas. Com o forte apoio da Junta de Freguesia local, tão movida pelo som sagrado, o Pax Julia Metal Fest voltou a ser uma realidade e contou com a presença de uma da principais revelações do Doom europeu da actualidade, os malteses Nomad Son. A acompanha-los estiveram os Prayers of Sanity, os espanhóis Wild e os Dawnrider. Após uma viagem relativamente rápida, e mais rápida seria se os últimos 50 km não tivessem de ser feitos numa IP nervosa, dei com a pensão e encontrei-me com os restantes camaradas de armas, no restaurante "Alcoforado", onde se prepararam estômagos. Estava pois na hora, de irmos até ao multiusos, onde os concertos estavam para começar, a cerveja pronta a escorregar, e várias caras conhecidas para cumprimentar! Pouca gente estava lá dentro quando os algarvios Prayers of Sanity iniciaram a sua actuação; situação que se foi alterando, ainda que por via de para-quedismo. O som esteve mau, havia imenso eco e a voz só se ouviu nos últimos 2 ou 3 temas. Tirando isso, foi aquilo que se sabe, thrash potente e repetitivo. Mais alguma troca de impressões no entretanto, e os madrilenos Wild faziam as pessoas aproximarem-se do palco. Puro heavy metal, com riffs que ficam no ouvido e cantado em espanhol (confesso que acho piada). O som estava um pouco melhor, e o tempo foi passado a abanar a carola, nas grades, excepto quando tinha de ir lá atrás buscar o néctar dos Deuses. Surpreenderam, antes dos Dawnrider nos presentearem com um excelente concerto, repleto de grandes guitarradas e com o feeling que lhes é manifestamente reconhecido. «Irinia» é tudo aquilo que o doom deve ser; absolutamente asfixiante! Para terminar a noite, musicalmente falando, os headliners Nomad Son, tiveram cerca de 1 hora a alternar momentos bons, com outros algo mastigados. No geral, faltou a alma e a intensidade que eu pensava que iam ter, mas foi relativamente agradável e, nos ditos «momentos bons», foi mesmo bastante interessante. Lá à frente o som estava algo embrulhado mas cá atrás tolerava-se melhor e foi aí que assisti boa parte do concerto, já mais recatado. Em termos de heavy metal, a noite ficava por aqui e iniciava-se a festa da pastilha estudantil com Dj's e seus remix's. A dezena de membros da Irmandade Metálica foi convidada a ir ao backstage, para conviver e beber (mais) uns copos, donde sobressaiu a «Adega das Passarinhas». Estava frio, não tardava amanhecia, e o melhor era ir dormir, para poder voltar a casa, algumas horas depois, em segurança. Um agradecimento ao Vitor, presidente da junta, pela simpatia com que recebeu as gentes que foram de longe, em prol de uma coisa esquisita que se chama Heavy Metal. Noitada no Alentejo.
Sábado, 16 de Outubro de 2010
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