Eu vinha dizendo que, o evento em questão, tinha as condições necessárias para vir a ser marcante. O cartaz oferecia duas pequenas e talentosas bandas portuguesas, e outras duas estrangeiras que contam tão somente com um álbum cada, sendo que o de Atlantean Kodex foi lançado exactamente hoje, no dia do concerto. Mediante isto, porque é que este havia de ser um evento para ficar na memória dos presentes? Não sei, mas pelo menos era diferente daquilo que se traz cá todos os dias, e potencial as bandas tinham para dar e vender. A noite abriu, sensivelmente à hora marcada, com os «speed thrashers revivalistas» Inquisitor. Grandes, catchies e velozes riffs, com a banda a mostrar cada vez melhor entrosamento e à vontade. A «Speed Metal Legions» é mesmo aquilo que se pretende ouvir neste tipo de som! O espaço de tempo entre bandas foi extremamente reduzido (mais um ponto positivo), portanto só deu para apanhar um pouco de ar e seguir de novo lá para dentro, onde os padres da meia noite deram mais um concerto para a sua longa lista de actuações brutais. As malhas já bem conhecidas e a nova «Cidade Fantasma», qual «Aces High», trouxeram muito movimento bem junto ao palco. É bem capaz de ser a banda portuguesa que, actualmente, gera mais entusiasmo ao vivo. Depois do metal lusitano mostrar do que é capaz, seguiram-se os co-headliners britânicos Asomvel. Não era preciso o baixista/vocalista ter uma t-shirt de Motorhead para percebermos qual é a grande influência da banda. Heavy Metal sujo e num constante desbravar de caminho ao longo de 1 hora. É daqueles concertos que, com meia hora é excelente, mas torna-se repetitivo. Do que vi valeu a pena, mas, a meio, fui meter a conversa em dia. Conversa que foi interrompida pelos primeiros acordes da última banda - os bávaros Atlantean Kodex. Concerto F-E-N-O-M-E-N-A-L, estupidamente brilhante! Temas do recém-nascido e dos EP's, não deixaram praticamente ninguém indiferente, e foi um rolar de cabeças e um erguer de «guitarras» absolutamente incríveis. Muito boa presença e união assinalável com as setenta (?) almas que contemplavam tamanho poder sonoro. Eis um concerto que durou 1h40, e mal se deu por isso. «The Trooper» parecia ser o final perfeito desta actuação (foi o caos; esta gente não pode ouvir Maiden que fica assim...), mas o público pediu mais uma, nem que fosse um tema repetido, e assim foi; a mágica «From Shores Forsaken» voltou a ser tocada, com grande disponibilidade da banda, e pôs fim a uma bela noite de Heavy Metal. Fazendo jus ao nome, não sei se atingiu Lisboa, mas espero que Cacilhas recupere, para que venham mais destes.
Domingo, 3 de Outubro de 2010
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