Alchemist + Scarificare + Lux Ferre + Corpus Christii @ Side B (16.10.10)

Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

 

Na minha modesta opinião, que é aquela que manifestamente mais me interessa, o black metal feito no nosso Portugal está bem no topo da pirâmide mundial do género. Por isso mesmo, o «Lusitanian Darkness Fest» era absolutamente imperdível para todos os amantes desta vertente metálica, e mesmo para os que não o são. Do cartaz constavam os Alchemist, os portuenses Scarificare e Lux Ferre e, por fim, a instituição, pouco frequente, Corpus Christii. Cartazes deste nível, acontecem talvez uma a duas noites por ano, assim, não foi de estranhar a boa afluência a Benavente que, normalmente, "fica tão longe". A abrir as hostilidades, a horas, estiveram os Alchemist, com uma sonoridade bem ao jeito de Celtic Frost - ou seja, muito boa. Foi uma marcha conseguida, com excelentes ideias e pernas para andar. Dos projectos destes rapazes, este é o que mais gosto, com distância. A seguir, subiram ao palco os Scarificare, uma das curiosidades da noite. Com um belo disco de estreia, a sua actuação não defraudou as expectativas. Têm realmente malhas muito boas, com riffs que ficam na memória e, não obstante a bateria parecer-me um pouco alta, o que soprava as guitarras para longe em alguns momentos, a entrega e postura em palco foram interessantes de se ver. A partir daqui, e sem desprimor para as bandas referidas, o nível e gosto pessoal subiram exponencialmente, devido particularmente a Lux Ferre. Banda que pretendia ver há muito tempo, mas que ainda não tinha sido possível. Grande, enorme concerto! As melodias que dali saem são música para os meus ouvidos. O baterista humano (em estreia no Sul), que já havia tocado e de que maneira com Scarificare, esteve à altura tirando um ou dois momentos naturais de desentendimento colectivo, mas facilmente ultrapassados. «Next to Satan» é puro material bélico, e «Dormente» foi a cereja no topo de um bolo recheado de dor. A noite aproximava-se do seu epílogo, e cabia aos Corpus Christii a palavra final neste ritual. Com a ideia de palco mais poderosa da noite, e não me refiro às cabeças de animais como é óbvio, este foi um assombro de concerto. Bom som, bom jogo de luzes, enfim, outra grandeza. Tocam poucas vezes, mas a máquina apareceu bem oleada, a disparar black metal indiscriminadamente, sem contemplações, obtendo óptima resposta de um público que não ficou simplesmente a olhar. Uma saída algo repentina marcou o fim. Em suma, quatro bons concertos, e (mais) uma excelente noite para e pelo metal nacional.

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